{"id":27,"date":"2014-02-20T15:14:53","date_gmt":"2014-02-20T15:14:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/diagnosticos\/?page_id=27"},"modified":"2014-05-30T15:39:48","modified_gmt":"2014-05-30T15:39:48","slug":"bairro-escola-vila-madalena","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/bairro-escola-vila-madalena\/","title":{"rendered":"Bairro-escola Vila Madalena"},"content":{"rendered":"<p>A partir dos crit\u00e9rios para defini\u00e7\u00e3o territorial do Bairro-escola, o per\u00edmetro territorial aqui considerado como Bairro-escola Vila Madalena compreende um micro territ\u00f3rio baseado na delimita\u00e7\u00e3o raio 2 km a partir da EMEF Olavo Pezzotti, escolhida por ter uma participa\u00e7\u00e3o ativa em diversos projetos e iniciativas do Aprendiz e ser um parceiro antigo e estrat\u00e9gico da organiza\u00e7\u00e3o. Ainda que grande parte das a\u00e7\u00f5es da Cidade Escola Aprendiz \u2013 cuja sede encontra-se dentro do per\u00edmetro \u2013 tenham ocorrido no interior do mesmo, muitas vezes as atividades e projetos extrapolaram esse territ\u00f3rio. Isso ocorre em fun\u00e7\u00e3o de que essa delimita\u00e7\u00e3o tem seu valor como referencial para a discuss\u00e3o do microterrit\u00f3rio na concep\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia do Bairro-escola e n\u00e3o propriamente na demarca\u00e7\u00e3o precisa das a\u00e7\u00f5es da estrat\u00e9gia no local.<\/p>\n<p>Localizado na regi\u00e3o Oeste de S\u00e3o Paulo, do ponto de vista da divis\u00e3o administrativa do munic\u00edpio, este territ\u00f3rio encontra-se em grande parte no interior da Subprefeitura de Pinheiros, mas n\u00e3o coincide com \u00e1rea do distrito de Pinheiros e nem com do bairro Vila\u00a0Madalena\u00a0<a title=\"Este \u00faltimo tampouco possui uma delimita\u00e7\u00e3o precisa (o bairro n\u00e3o tem uma defini\u00e7\u00e3o institucional).\" href=\"#nota\">[33]<\/a>,\u00a0ainda que leve o seu nome. Ele \u00e9 composto por parte do que \u00e9 considerado distrito de Pinheiros, Alto de Pinheiros, um pequeno trecho do Jardim Paulista e da Lapa <span style=\"color: #000000;\">(vide Mapa 13)<\/span>. Trata-se de um territ\u00f3rio heterog\u00eaneo, no interior do qual coexistem uma diversidade de condi\u00e7\u00f5es socioterritoriais, mas que, quando olhado pelo seu conjunto e sobretudo em rela\u00e7\u00e3o ao resto da cidade, torna-se uma das \u00e1reas mais privilegiadas de S\u00e3o Paulo, tanto do ponto de vista das condi\u00e7\u00f5es de vida de seus habitantes quanto de localiza\u00e7\u00e3o no conjunto do munic\u00edpio, oferta de servi\u00e7os p\u00fablicos e privados, infraestrutura, transporte.<\/p>\n<p>Os seguintes dados demonstram isso: h\u00e1 33 escolas no territ\u00f3rio, sendo 6 particulares e 27 p\u00fablicas. Entre as p\u00fablicas h\u00e1 4 de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (creche e EMEI), 14 de Ensino Fundamental, 8 de Ensino M\u00e9dio e 1 Escola T\u00e9cnica <span style=\"color: #000000;\">(Mapa 14)<\/span>. Em rela\u00e7\u00e3o aos equipamentos de sa\u00fade, h\u00e1 2 Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade (UBS) <span style=\"color: #000000;\">(Mapa 15)<\/span>. No Bairro-escola Vila Madalena h\u00e1 1 CRAS (Centro de Refer\u00eancia em Assist\u00eancia Social) \u00a0\u2013 este \u00e9 o \u00fanico territ\u00f3rio do diagn\u00f3stico que conta com este equipamento. Al\u00e9m disso, h\u00e1 foram identificados dois outros CRAS que, apesar de estarem fora do territ\u00f3rio, localizam-se a menos de 10 km de dist\u00e2ncia do equipamento presente no Bairro-escola Vila Madalena. O territ\u00f3rio conta ainda com 3 bibliotecas, 4 museus e 1 clube comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>O nome Vila Madalena possui forte valor simb\u00f3lico na cidade, associado a concentra\u00e7\u00e3o de bares, restaurantes, galerias de arte, ateliers no bairro que refor\u00e7am seu aspecto bo\u00eamio e art\u00edstico conhecido em todo\u00a0Brasil\u00a0<a title=\"\u201cVila Madalena\u201d foi t\u00edtulo de uma novela exibida pela Rede Globo em 1999\/2000.\" href=\"#nota\">[34]<\/a>.\u00a0A voca\u00e7\u00e3o educativa tamb\u00e9m t\u00eam destaque na regi\u00e3o, com a exist\u00eancia de escolas &#8211; tanto privadas quanto p\u00fablicas &#8211; com propostas educativas inovadoras,. (Veremos adiante algumas destas inova\u00e7\u00f5es educativas realizadas em parceria com a Associa\u00e7\u00e3o Cidade Escola Aprendiz). A regi\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 reconhecido por sua voca\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, evidenciada pela organiza\u00e7\u00e3o de feiras locais, tais como a tradicional \u201cFeira da Vila\u201d \u2013 feira de artesanato, produtos e alimentos que ocorre anualmente no m\u00eas de agosto, com mais de 500 barracas espalhadas por seis quarteir\u00f5es (tradicionalmente a feira ocupa as ruas Mourato Coelho, Fradique Coutinho, Wizard e Felipe de Alca\u00e7ova) e j\u00e1 est\u00e1 em sua 36\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Simultaneamente a esses movimentos, nas \u00faltimas d\u00e9cadas o bairro tem passado por um crescente processo de verticaliza\u00e7\u00e3o de alto padr\u00e3o e gentrifica\u00e7\u00e3o que o tornou alvo de especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e tem alterado o aspecto do bairro, mesclando as caracter\u00edsticas citadas a uma forte concentra\u00e7\u00e3o da elite financeira da cidade.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da Associa\u00e7\u00e3o Cidade Escola Aprendiz e a Vila Madalena (sobretudo em rela\u00e7\u00e3o ao seu valor simb\u00f3lico) est\u00e3o bastante associados: se o Aprendiz \u00e9 lembrado por sua atua\u00e7\u00e3o no bairro, ele mesmo \u00e9 tamb\u00e9m marcado pelos 16 anos de presen\u00e7a da Associa\u00e7\u00e3o no local.<\/p>\n<p>O Aprendiz iniciou suas atividades na Vila Madalena em 1998 com projetos de comunica\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de sites por alunos de escolas p\u00fablicas e particulares da cidade. Em 1999 nasceu o \u201cProjeto 100 muros\u201d \u2013 um marco para a institui\u00e7\u00e3o do ponto de vista de sua visibilidade. Com este projeto o Aprendiz passa a ser reconhecido pela aplica\u00e7\u00e3o de mosaicos e azulejos em 100 muros da cidade, incluindo escolas, becos, pra\u00e7as.<\/p>\n<p>O projeto nasceu de uma insatisfa\u00e7\u00e3o com a qualidade da educa\u00e7\u00e3o praticada no pa\u00eds, centrada na transmiss\u00e3o vertical professor-aluno. De acordo com seus idealizadores, essa m\u00e1 educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se tornava vis\u00edvel na atitude de crian\u00e7as, jovens e adultos na rela\u00e7\u00e3o com as ruas e com a cidade. Isto \u00e9, havia nessa \u00e9poca a constata\u00e7\u00e3o de que a mesma postura dos jovens de \u201creceber passivamente\u201d o conhecimento podia ser testemunhada na rela\u00e7\u00e3o desses jovens com a cidade: falta de interven\u00e7\u00e3o social, passividade pol\u00edtica e pouca participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. O \u201c100 muros\u201d procurou modificar essa rela\u00e7\u00e3o com cidade atrav\u00e9s de interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, modificando o espa\u00e7o p\u00fablico e estreitando as rela\u00e7\u00f5es entre educa\u00e7\u00e3o, comunidade e cidade.<\/p>\n<p>Fruto de uma parceria entre Aprendiz, Funda\u00e7\u00e3o Bank Boston e FIAT e com o apoio da UNESCO, o projeto se caracterizou pela diversidade de seus participantes. Crian\u00e7as e jovens de diversas escolas<b>, <\/b>tanto p\u00fablicas como particulares, moradores de abrigos, participantes de projetos sociais e interessados (de qualquer idade, filiados ou n\u00e3o a alguma organiza\u00e7\u00e3o) planejavam e executavam juntos as interven\u00e7\u00f5es (revitaliza\u00e7\u00e3o dos muros). O nome do projeto faz um jogo de palavras com a concep\u00e7\u00e3o de uma cidade \u201csem muros\u201d, sem fronteiras entre comunidade e a educa\u00e7\u00e3o, sem barreiras entre as pessoas, idades ou organiza\u00e7\u00f5es. O esfor\u00e7o do Aprendiz nessa \u00e9poca era, portanto, provocar uma mudan\u00e7a de olhar sobre a cidade, abrindo a possibilidade de exercer a cidadania atrav\u00e9s da arte e da revitaliza\u00e7\u00e3o urbana. Com o passar dos anos \u2013 como veremos \u2013 esse objetivo inicial foi se tornando mais sofisticado, passando a incluir o trabalho com as escolas e pensando formas de aproximar o curr\u00edculo escolar com os potenciais educativos da cidade.<\/p>\n<p>Nesse mesmo ano tamb\u00e9m teve in\u00edcio uma s\u00e9rie de interven\u00e7\u00f5es no Beco da Pra\u00e7a Aprendiz das Letras, na Rua Belmiro Braga, em frente \u00e0 ent\u00e3o sede do Aprendiz. Cerca de 60 jovens grafiteiros e artistas do Aprendiz fizeram interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas (grafite e pintura dos muros) e o espa\u00e7o recebeu manuten\u00e7\u00e3o. Foram organizados encontros peri\u00f3dicos com os grafiteiros e artistas e a cada seis meses o beco era repintado. Nessa \u00e9poca o beco e a pra\u00e7a \u2013 localizados entre as ruas Belmiro Braga e Padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves \u2013 apresentavam condi\u00e7\u00f5es muito ruins de limpeza e eram frequentados por agentes do tr\u00e1fico de drogas o que os associava a um lugar violento e perigoso. A limpeza inicial do beco foi realizada pela Prefeitura de S\u00e3o Paulo, mas com o passar do tempo (e o uso do espa\u00e7o pelos artistas), a manuten\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o ficou a cargo da Associa\u00e7\u00e3o Cidade Escola Aprendiz. O trabalho de recupera\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os p\u00fablicos teve tamb\u00e9m o apoio do Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar e ao final dos trabalhos o beco se tornou uma \u201cgaleria a c\u00e9u aberto\u201d, com pain\u00e9is de grafite abertos \u00e0 visita\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. A Pra\u00e7a Aprendiz das Letras, se antes era um espa\u00e7o deteriorado, passou a funcionar como um espa\u00e7o para oficinas de arte. (Incluir foto do Beco &#8211; antes e depois)<\/p>\n<p>Nessa fase inicial, o Bairro-escola Vila Madalena \u2013 assim chamado posteriormente o conjunto de a\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o p\u00fablico do entorno e interior da Vila Madalena \u2013 se desdobrou em estrat\u00e9gias de transforma\u00e7\u00e3o e revitaliza\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os p\u00fablicos e privados por meio de interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, o que traz consequ\u00eancias diretas e indiretas na forma dos cidad\u00e3os se relacionarem com a cidade e com o espa\u00e7o p\u00fablico. Com o tempo e o amadurecimento dos projetos de Bairro-escola, essas a\u00e7\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o ganharam complexidade, incluindo a mobiliza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, a articula\u00e7\u00e3o de parcerias locais e estrat\u00e9gias de promo\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Integral de crian\u00e7as e adolescentes do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso destacar que o Bairro-escola n\u00e3o \u00e9 um conjunto de interven\u00e7\u00f5es pontuais sem di\u00e1logo com agentes e redes; as interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o disparadores e\/ou resultados de processos de articula\u00e7\u00e3o e parcerias locais. Ao mesmo tempo em que h\u00e1 estrat\u00e9gias de forma\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes, tamb\u00e9m se repensa o desenvolvimento local, o reconhecimento do espa\u00e7o, os usos e a circula\u00e7\u00e3o das pessoas no territ\u00f3rio. Neste sentido o Beco da Rua Belmiro Braga, que no in\u00edcio disparou as primeiras interven\u00e7\u00f5es do Aprendiz, com o tempo passou a ser pensado em di\u00e1logo com todos os agentes que o utilizam, com coletivos de artistas, grafiteiros, moradores e organiza\u00e7\u00f5es. O Bairro-escola se torna mais complexo, na medida em que vai al\u00e9m de interven\u00e7\u00f5es pontuais e passa a incluir forma\u00e7\u00e3o de redes de parceria, bem como come\u00e7a a explicitar com mais clareza seus objetivos de fomentar a voca\u00e7\u00e3o educativa do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Assim, se no momento de sua forma\u00e7\u00e3o, o Aprendiz se dedicou primordialmente a oferecer projetos de interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica e cultural na regi\u00e3o da Vila Madalena, ao longo dos anos come\u00e7ou a envolver cada vez mais a comunidade nesse processo. O grande interesse de crian\u00e7as, adolescentes e jovens do territ\u00f3rio em participar das interven\u00e7\u00f5es do \u201c100 muros\u201d \u2013 e portanto, em repensar a cidade \u2013 foi um dos fatores que originou um dos projetos mais emblem\u00e1ticos da organiza\u00e7\u00e3o: o Escola na Pra\u00e7a. \u00a0 O projeto iniciou suas atividades em 1999, com o financiamento do FUMCAD \u2013 Fundo Municipal dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente e se encerrou em 2012 \u2013 tendo, ao longo dos anos, funcionado com diversas metodologias. Nos primeiros anos do projeto o objetivo era o atendimento de crian\u00e7as e adolescentes entre 4 e 14 anos, vindas de escolas da Vila Madalena, para atividades de comunica\u00e7\u00e3o, esportes e artes. Um dos parceiros mais pr\u00f3ximos foi a EMEF Olavo Pezzotti, que encaminhava seus alunos do Fundamental para atividades complementares \u00e0 escola. Com o passar dos anos e a complexifica\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es do Aprendiz, a Escola na Pra\u00e7a deu in\u00edcio ao que chamou de \u201ctrilhas educativas\u201d pelo bairro, ou seja, percursos educativos que integravam os interesses dos alunos, os curr\u00edculos das escolas e demais espa\u00e7os educativos do bairro, ao mesmo tempo em que articulava uma rede de apoio (servi\u00e7os de sa\u00fade e assist\u00eancia social) voltados para inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio nome do projeto (\u201cEscola na Pra\u00e7a\u201d) traz a dimens\u00e3o de seu objetivo central: fazer com que os processos educativos possam acontecer em toda a cidade (e n\u00e3o apenas nas salas de aula de uma escola) e a pra\u00e7a \u2013 entendida como s\u00edmbolo de bairro ou do espa\u00e7o da cidade \u2013 se torna um campo de ensino-aprendizagem privilegiado. A partir do entendimento de que o conhecimento n\u00e3o se restringe aos conte\u00fados curriculares da escola, no desenvolvimento do projeto s\u00e3o considerados os saberes e fazeres locais e comunit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ainda em 1999, o Aprendiz concebeu e implementou o Oldnet, um projeto que prop\u00f5e o encontro intergeracional de idosos e adolescentes atrav\u00e9s do ensino de inform\u00e1tica. No seu primeiro ano de exist\u00eancia a iniciativa foi implementada no ent\u00e3o chamado Lar Golda Meir (atualmente \u201cResidencial Israelita Albert Einstein\u201d- RIAE) \u2013 lar de idosos na Vila Mariana \u2013, em parceria com o Col\u00e9gio Bialik, escola particular localizada em Pinheiros. Na rotina do projeto adolescentes estudantes do Bialik ministravam aulas para os idosos residentes do Lar Golda Meir. Mais tarde as atividades passaram a ser realizadas dentro do Caf\u00e9 Aprendiz, restaurante localizado ao lado da sede da Associa\u00e7\u00e3o e mantido pela mesma para captar recursos e ao mesmo servir de espa\u00e7o-laborat\u00f3rio para experi\u00eancias\u00a0pedag\u00f3gicas\u00a0<a title=\"Atualmente o Caf\u00e9 Aprendiz n\u00e3o pertence mais \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Cidade Escola Aprendiz, mas se mant\u00e9m parceiro pedag\u00f3gico da institui\u00e7\u00e3o. As atividades do Oldnet seguem acontecendo no Caf\u00e9.\" href=\"#nota\">[35]<\/a>.\u00a0Desde a fase de implementa\u00e7\u00e3o, o p\u00fablico do Oldnet foi composto por idosos e adolescentes moradores ou frequentadores do territ\u00f3rio \u2013 ou de locais vizinhos.<\/p>\n<p>Na medida em que coloca o idoso como educando e o adolescente como educador, o projeto explicita a concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o ao longo da vida e do processo de ensino-aprendizagem como uma din\u00e2mica horizontal e de m\u00e3o-dupla. O projeto traduz a no\u00e7\u00e3o de que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 responsabilidade de todos; desconstr\u00f3i os limites da educa\u00e7\u00e3o \u00e0 sala de aula e transforma diversos espa\u00e7os da cidade em espa\u00e7os de aprender.<\/p>\n<p>Os resultados efetivos do Oldnet deram origem a um movimento de expans\u00e3o do programa em escala mundial. No in\u00edcio de 2006, o Oldnet estabeleceu uma parceria com a empresa global de processadores AMD no intuito de multiplicar este modelo inovador e mundialmente vi\u00e1vel para a inclus\u00e3o digital de idosos. Desta parceria nasceu o site <a href=\"http:\/\/www.oldnet.com.br\/\">www.oldnet.com.br<\/a> (e um CD-ROM) que visa disseminar a metodologia Oldnet para todo o mundo. Desde ent\u00e3o o Oldnet j\u00e1 foi replicado pela USP (Campus Leste, na Faculdade de Gerontologia) e recebeu, em 2009, o pr\u00eamio do Banco do Brasil na categoria \u201cTecnologia Social Efetiva\u201d.<\/p>\n<p><strong>Um novo m\u00e9todo de aprendizado que aproxima a escola e o territ\u00f3rio Vila Madalena: As trilhas educativas<\/strong><\/p>\n<p>Com o desenvolvimento e amadurecimento do Aprendiz \u2013 e do pr\u00f3prio conceito de Bairro-escola \u2013 come\u00e7ou a ficar claro que o grande diferencial do trabalho com as crian\u00e7as e, adolescentes e jovens est\u00e1 na sua metodologia. Em fun\u00e7\u00e3o disso, ao longo dos anos, o Aprendiz formulou o que denominou \u201cTrilhas educativas\u201d, uma metodologia de ensino-aprendizagem que consiste na elabora\u00e7\u00e3o de percursos pedag\u00f3gicos que integram os conte\u00fados dos projetos da escola aos do territ\u00f3rio. Pelos princ\u00edpios das Trilhas, os projetos partem do pr\u00f3prio interesse dos educandos, h\u00e1 etapas de mapeamento do entorno (do bairro ou parte dele) e intera\u00e7\u00e3o com a comunidade (moradores, trabalhadores ou frequentadores da regi\u00e3o). A circula\u00e7\u00e3o pelo bairro e pela cidade n\u00e3o s\u00e3o considerados, pelo vi\u00e9s de Bairro-escola, como \u201cpasseios\u201d, ou simplesmente \u201catividades culturais\u201d: est\u00e3o na pr\u00f3pria base conceitual de territ\u00f3rio educativo<i>.<\/i><\/p>\n<p>A Vila Madalena foi e \u00e9, nesse sentido, territ\u00f3rio correspons\u00e1vel pelo aprendizado de centenas de crian\u00e7as e jovens que frequentaram os projetos do Aprendiz, em todos os anos de sua hist\u00f3ria. \u00c9 um territ\u00f3rio privilegiado de experimenta\u00e7\u00f5es e laborat\u00f3rios educativos do Aprendiz; o local onde se experimenta e se p\u00f5em em pr\u00e1tica os conceitos desenvolvidos na organiza\u00e7\u00e3o. Ao caminhar pela Vila Madalena, l\u00e1 est\u00e3o os mosaicos (dos 100 muros), a pra\u00e7a sendo utilizada pela comunidade (onde antes havia um beco praticamente abandonado), idosas que aprendem inform\u00e1tica com adolescentes dentro de um restaurante (que j\u00e1 criou e apoiou outras iniciativas e projetos comunit\u00e1rios). A amplia\u00e7\u00e3o das oportunidades educativas foi, portanto, uma das marcas mais fortes do Bairro-escola Vila Madalena, com um hist\u00f3rico de projetos e interven\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Concebido inicialmente como metodologia educativa do projeto Escola na Pra\u00e7a, aos poucos os fundamentos das Trilhas passaram a contaminar todos os projetos e forma\u00e7\u00f5es da institui\u00e7\u00e3o. Como dito, o \u201cTrilhas urbanas\u201d, projeto criado pelo Aprendiz em 2004, propunha a forma\u00e7\u00e3o de jovens agentes de cultura (vindos de escolas p\u00fablicas e particulares do territ\u00f3rio) atrav\u00e9s da pesquisa de t\u00e9cnicas art\u00edsticas (grafite, mosaico, colagem, lambe-lambe, dentre outras), de interven\u00e7\u00f5es urbanas e de mapeamentos de oportunidades educativas e culturais do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Vila Madalena como territ\u00f3rio cultural: o papel da Cultura no Bairro-escola<\/strong><\/p>\n<p>Em 2010 uma das casas-sede do Aprendiz foi reconhecida como Ponto de Cultura, e pode-se dizer que a sua atua\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio foi um importante eixo estrat\u00e9gico da consolida\u00e7\u00e3o do Bairro-escola na Vila Madalena. Os Pontos de Cultura fazem parte do Cultura Viva, um programa do Minist\u00e9rio da Cultura que fomenta parcerias comunit\u00e1rias culturais no territ\u00f3rio. A concep\u00e7\u00e3o dos Pontos de Cultura dialoga intimamente com os princ\u00edpios do Bairro-escola, uma vez que se baseia na gest\u00e3o compartilhada entre poder p\u00fablico e comunidade local e tem por objetivo articular e catalisar projetos j\u00e1 existentes no territ\u00f3rio, valorizando saberes locais.<\/p>\n<p>De fato a valoriza\u00e7\u00e3o e \u201cvisibiliza\u00e7\u00e3o\u201d de artistas locais e da produ\u00e7\u00e3o cultural do territ\u00f3rio foram um salto qualitativo do Bairro-escola na \u00e1rea da Cultura. \u00c9 importante mencionar que na primeira fase de atua\u00e7\u00e3o do Aprendiz ainda n\u00e3o havia um canal de di\u00e1logo aberto com as escolas. De fato, no in\u00edcio as atividades comunit\u00e1rias eram consideradas em oposi\u00e7\u00e3o ao curr\u00edculo escolar, ou seja, sem integra\u00e7\u00e3o entre as oficinas e trilhas educativas e a escola de origem das crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>Com o amadurecimento institucional, essa oposi\u00e7\u00e3o foi sendo gradualmente superada e a nova concep\u00e7\u00e3o de trilhas educativas interativa com o curr\u00edculo (e a gest\u00e3o) da escola come\u00e7ou a tomar corpo. Quando uma nova abordagem conceitual come\u00e7ou a substituir ou expandir a anterior, surgiram novas pr\u00e1ticas, a\u00e7\u00f5es e frentes de trabalho (e vice-versa): nessa fase, portanto, o Aprendiz come\u00e7a a realizar projetos <i>com<\/i> e <i>nas<\/i> escolas do bairro.<\/p>\n<p>O Aprendiz de fato inaugurou uma a\u00e7\u00e3o mais consistente e dial\u00f3gica com as escolas do territ\u00f3rio a partir de 2007, com o projeto denominado \u201cDesafio Max\u201d. Nesse ano, a EE Carlos Maximiliano Pereira dos Santos, conhecida como Max, recorreu \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Cidade Escola Aprendiz para auxili\u00e1-la a evitar um poss\u00edvel fechamento da escola, em virtude de uma queda significativa no n\u00famero de matr\u00edculas, espa\u00e7os pouco utilizados e equipe docente bastante reduzida.<\/p>\n<p>Esse risco de fechamento tinha alguma rela\u00e7\u00e3o com dificuldades pedag\u00f3gicas importantes: nessa \u00e9poca estava em vigor na escola um programa estadual de escolas de tempo integral, o Ensino de Tempo Integral (ETI), que propunha atividades no contraturno. No entanto, as oficinas propostas \u2013 ministradas por professores da rede ou fora da rede que se inscreviam para fun\u00e7\u00e3o \u2013\u00a0 nada mais eram do que a continua\u00e7\u00e3o das atividades curriculares. Os alunos entravam na escola \u00e0s 7h e saiam \u00e0s 16h e as atividades do contraturno tinham como temas Experi\u00eancias Matem\u00e1ticas, Hora da Leitura, Sa\u00fade e Qualidade de Vida, Atividades Art\u00edsticas e Atividades Esportivas. Apesar de denominadas \u201coficinas\u201d, as atividades seguiam o mesmo formato disciplinar das aulas do curr\u00edculo tradicional, funcionando praticamente como refor\u00e7o escolar. A desmotiva\u00e7\u00e3o dos alunos impactava na frequ\u00eancia \u00e0s aulas e colaborava para a evas\u00e3o, o que punha o funcionamento da escola em risco.<\/p>\n<p>A parceria com o Aprendiz, assim, surgiu a partir do desafio de integrar estas atividades oferecidas aos alunos no per\u00edodo do contraturno ao plano pedag\u00f3gico da escola, aproximando as oficinas de uma concep\u00e7\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o Integral; estas de fato deveriam trazer inova\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas, n\u00e3o acontecer no formato disciplinar e relacionar-se minimamente com o interesse dos estudantes.\u00a0 Juntos, Aprendiz e Max deram in\u00edcio a um projeto que atuou por meio de v\u00e1rias frentes, incluindo diagn\u00f3stico dos motivos para a queda no n\u00famero de estudantes, mutir\u00f5es comunit\u00e1rios de recupera\u00e7\u00e3o da escola e articula\u00e7\u00e3o de parcerias para a realiza\u00e7\u00e3o das oficinas.<\/p>\n<p>Uma das estrat\u00e9gias mais efetivas para evitar o fechamento da escola foi a revitaliza\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o escolar que havia sido projetado para abrigar um teatro, mas que de fato funcionava como dep\u00f3sito de arquivo-morto de documentos da Diretoria de Ensino Centro Oeste. Este espa\u00e7o foi reformado e adaptado e deu dar lugar ao \u201cTeatro da Vila\u201d, espa\u00e7o cultural que durante o dia era utilizado pela escola como um local de atividades educativas e durante a noite oferecia programa\u00e7\u00e3o cultural variada aberta ao p\u00fablico \u2013 shows, pe\u00e7as de teatro, dan\u00e7a, saraus de poesia.<\/p>\n<p>O \u201cTeatro da Vila\u201d n\u00e3o foi um teatro comum, e o diferencial dessa iniciativa n\u00e3o estava apenas na utiliza\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o escolar antes ocioso. Ele foi um espa\u00e7o cultural criado e gerido pelos princ\u00edpios do Bairro-escola, uma vez que contou com a gest\u00e3o, ao mesmo tempo, da escola, da Associa\u00e7\u00e3o de Pais e Mestres, de agentes da comunidade, institui\u00e7\u00f5es culturais e moradores, coletivos e artistas locais, formando um Comit\u00ea gestor.<\/p>\n<p>Os desdobramentos da cria\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o do Teatro da Vila chegaram a influenciar a escola em seu projeto pol\u00edtico pedag\u00f3gico, atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de oficinas culturais e novos usos do espa\u00e7o durante as aulas. Os alunos passaram a poder optar em participar de alguma oficina oferecida pelo sistema estadual de educa\u00e7\u00e3o ou uma oferecida por um parceiro da comunidade. Em 2009 \u2013 o primeiro ano de realiza\u00e7\u00e3o destas oficinas em parceria com a comunidade \u2013 foram oferecidas oficinas de samba, moda, tear, cinema, ilumina\u00e7\u00e3o, sonoriza\u00e7\u00e3o, C\u00edrculo de Leitura, Oficina de Aprendizagem e de DJ. As oficinas propostas nessa nova fase da escola n\u00e3o eram mais continua\u00e7\u00f5es das aulas curriculares (\u201crefor\u00e7o escolar\u201d), mas atividades educativas que faziam uso do espa\u00e7o cultural escolar (o Teatro da Vila), aproveitando os saberes culturais locais como oportunidades de aprendizagem.<\/p>\n<p>De fato, pode-se dizer que as a\u00e7\u00f5es do Max em parceria com o Aprendiz atingiram seus objetivos: em 2008 a escola passou de 250 para 450 estudantes, e o uso do espa\u00e7o da escola foi transformado. Em 2008, a ETEC (Escola T\u00e9cnica Estadual) Guaracy Silveira, localizada em Pinheiros \u2013 conveniada ao Centro Paula\u00a0Souza\u00a0<a title=\"Autarquia do Governo do Estado de S\u00e3o Paulo vinculada \u00e0 Secretaria de Desenvolvimento Econ\u00f4mico, Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, o Centro Paula Souza administra 211 Escolas T\u00e9cnicas (Etecs) e 57 Faculdades de Tecnologia (Fatecs) estaduais em 161 munic\u00edpios paulistas.\" href=\"#nota\">[36]<\/a>\u00a0\u2013\u00a0passou a ocupar o espa\u00e7o do Max trazendo seus alunos para o pr\u00e9dio da escola, o que tinha como objetivo combater a ociosidade de salas de aula em alguns per\u00edodos, como tamb\u00e9m aproximar o ensino t\u00e9cnico e o ensino fundamental e m\u00e9dio da escola. A partir da parceria com a ETEC houve aproveitamento completo das vagas.<\/p>\n<p>Nessa fase o Max p\u00f4de experimentar uma aproxima\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo escolar com a cultura local e a participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Uma das grandes descobertas dessa experi\u00eancia foi a de que n\u00e3o apenas o curr\u00edculo da escola deve se abrir para o bairro, mas que a pr\u00f3pria gest\u00e3o escolar precisava ser repensada, abrindo-se para a comunidade. O projeto Escola do Bairro conquistou essas mudan\u00e7as com a abertura da escola para uma gest\u00e3o mais democr\u00e1tica, a mobiliza\u00e7\u00e3o do Gr\u00eamio dos estudantes e a participa\u00e7\u00e3o de membros de toda a comunidade escolar (pais, funcion\u00e1rios, professores, gestores e parceiros) nas decis\u00f5es da escola.<\/p>\n<p>Em 2010 o \u201cDesafio Max\u201d passou a se denominar \u201cEscola do bairro Vila Madalena\u201d e alcan\u00e7ou a sustentabilidade: o BrasilPrev (Banco do Brasil) come\u00e7ou a apoiar financeiramente o projeto por meio do FUMCAD (Fundo Municipal dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente).<\/p>\n<p>As interven\u00e7\u00f5es e projetos de Bairro-escola em Pinheiros efetivamente deram um salto qualitativo ao se aliarem \u00e0 escola. O sucesso do projeto \u201cEscola do Bairro Vila Madalena\u201d deixou evidente que n\u00e3o apenas o Bairro-escola precisa ser sustentado por uma rede de parcerias com objetivos comuns, como tamb\u00e9m nos ensinou que a escola \u00e9 um parceiro privilegiado na sustenta\u00e7\u00e3o dessa rede, uma institui\u00e7\u00e3o-chave com condi\u00e7\u00f5es de disparar e catalisar a\u00e7\u00f5es integradas e aproximar os diversos setores. O di\u00e1logo com o poder p\u00fablico d\u00e1 amparo legal e pol\u00edtico aos projetos e permite que as redes formadas tenham continuidade, recursos e espa\u00e7os minimamente garantidos.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente em fun\u00e7\u00e3o desse amadurecimento da Cidade Escola Aprendiz na sua abordagem \u00e0 escola e na tarefa de dar a ela um papel privilegiado no desenho desta estrat\u00e9gia, que fez com que a escola ganhasse centralidade na delimita\u00e7\u00e3o territorial do Bairro-escola, ou seja, o epicentro do raio de 2 km que demarca operacionalmente e conceitualmente o microterrit\u00f3rio (em nosso caso, a EMEF Olavo Pezzotti). Esse reconhecimento, no entanto s\u00f3 foi poss\u00edvel a partir da experi\u00eancia: \u00e9 por meio da pr\u00f3pria hist\u00f3ria da atua\u00e7\u00e3o do Aprendiz na Vila Madalena e das caracter\u00edsticas desse territ\u00f3rio que se consolida a concep\u00e7\u00e3o de que a escola tem um papel disparador de a\u00e7\u00f5es, projetos e parcerias na concep\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio educativo.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o bastam o di\u00e1logo entre comunidade e escola \u2013 e a abertura da escola para a comunidade. \u00c9 preciso criar e fomentar redes articuladas que sustentem o Bairro-escola. Na Vila Madalena a mobiliza\u00e7\u00e3o e a articula\u00e7\u00e3o da rede sociopedag\u00f3gica foram e t\u00eam sido estrat\u00e9gicas para o fortalecimento do Bairro-escola. Hoje, muitas das redes uma vez criadas fomentadas j\u00e1 est\u00e3o integradas e funcionam independentes das a\u00e7\u00f5es ou do incentivo do Aprendiz.<\/p>\n<p>No contexto da forma\u00e7\u00e3o de redes e articula\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria destaca-se o processo de \u201cAutoforma\u00e7\u00e3o local\u201d. Em setembro de 2008 o SESI Vila Leopoldina e a Supervis\u00e3o de Cultura da Subprefeitura de Pinheiros demandaram ao Aprendiz uma forma\u00e7\u00e3o em Articula\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria, a ser ministrada para funcion\u00e1rios do SESI e da Rede Itaim. Esta demanda inicial acabou se transformando e deu lugar a uma forma\u00e7\u00e3o conjunta, em que todos formavam todos uma \u201cautoforma\u00e7\u00e3o\u201d. A chamada \u201cAutoforma\u00e7\u00e3o local Pinheiros\u201d constituiu-se como um grupo de cerca de 60 participantes, oriundos de diferentes bairros da \u00e1rea de abrang\u00eancia da Subprefeitura Pinheiros, entre sociedade civil, representantes do setor p\u00fablico e privado das \u00e1reas da assist\u00eancia social, sa\u00fade, cultura e educa\u00e7\u00e3o. O objetivo dos encontros era integrar as diferentes organiza\u00e7\u00f5es de Pinheiros e apresentar linhas de a\u00e7\u00e3o, projetos ou potenciais educativos voltados ao desenvolvimento das crian\u00e7as e adolescentes do territ\u00f3rio. Atividades de mapeamento e diagn\u00f3stico tamb\u00e9m serviram ao grupo como ferramentas para conhecer melhor o territ\u00f3rio e planejar caminhos integrados de colabora\u00e7\u00e3o. Tr\u00eas grandes eixos tem\u00e1ticos serviram como orientadores dos projetos e a\u00e7\u00f5es integradas: Promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e prote\u00e7\u00e3o \u00e0 vida; Trabalho e juventude e Cultura Urbana sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s dois anos de debate, em fevereiro de 2010 o grupo finalizou uma Carta de Princ\u00edpios, documento que sintetizou as metas da Autoforma\u00e7\u00e3o Local para o territ\u00f3rio explicitando o esfor\u00e7o para promover o Bairro-escola, o desenvolvimento local e a articula\u00e7\u00e3o de projetos voltados para as crian\u00e7as e adolescentes do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Um dos frutos dessa articula\u00e7\u00e3o foi a cria\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Comunit\u00e1ria de Not\u00edcias de Pinheiros, espa\u00e7o virtual de not\u00edcias e debate sobre quest\u00f5es locais e aberto \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de todos interessados pelos potenciais e desafios locais.<\/p>\n<p>A partir de 2011 parte da rede Autoforma\u00e7\u00e3o Local Pinheiros passou a se mobilizar em torno do FOCA Pinheiros (F\u00f3rum dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente), espa\u00e7o p\u00fablico de debate de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 crian\u00e7a e ao adolescente na \u00e1rea de abrang\u00eancia da Subprefeitura Pinheiros. Participam do F\u00f3rum estudantes, professores, diretores de escolas, representantes do poder p\u00fablico, convidados e demais interessados. Reivindica\u00e7\u00f5es e sistematiza\u00e7\u00f5es dos debates s\u00e3o levados para Confer\u00eancias Regionais, Municipais, Estaduais, e Nacionais dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente.<\/p>\n<p>A articula\u00e7\u00e3o do FOCA Pinheiros, no in\u00edcio bastante dif\u00edcil e com pouca participa\u00e7\u00e3o, s\u00f3 foi poss\u00edvel com os esfor\u00e7os do Aprendiz, com o engajamento do CRAS-Pinheiros (Centro de Refer\u00eancia de Assist\u00eancia Social) e da Diretoria Regional de Ensino do Butant\u00e3. Atualmente o FOCA Pinheiros conta com uma rede bem articulada e inclui a participa\u00e7\u00e3o de escolas de Pinheiros, abrigos e ONGs, tais como EMEF Olavo Pezzotti,<b> <\/b>EMEF Jos\u00e9 Dias da Silveira, EMEF Maria Antonieta D\u2019Alkmin Basto, CRAS Pinheiros,<b> <\/b>Diretoria Regional de Ensino do Butant\u00e3, Supervis\u00e3o de Sa\u00fade Pinheiros\/Lapa e representantes de organiza\u00e7\u00f5es sociais tais como Iniciativa Local, Associa\u00e7\u00e3o Cidade Escola Aprendiz e Programa Educar. Cada vez mais as pautas refletem os interesses e quest\u00f5es das crian\u00e7as e adolescentes do territ\u00f3rio e a participa\u00e7\u00e3o desse p\u00fablico tem sido mais expressiva. Tamb\u00e9m se destaca o grau de autonomia do F\u00f3rum, que n\u00e3o depende do Aprendiz ou de qualquer institui\u00e7\u00e3o em particular para se mobilizar, tendo alcan\u00e7ado um funcionamento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o local \u00e9 uma conquista do Bairro-escola Vila Madalena e atualmente existem outras iniciativas no territ\u00f3rio nas quais o Aprendiz ocupa um papel de apoiador ou participante \u2013 e n\u00e3o mais, necessariamente, de proponente. No caminho para a sustentabilidade das a\u00e7\u00f5es, os moradores, organiza\u00e7\u00f5es, escolas e lideran\u00e7as se articulam e se organizam em rede, voltados para os mesmos objetivos, ou seja, a cria\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de um projeto educativo de bairro, em que todos se corresponsabilizam pelo desenvolvimento integral das crian\u00e7as e adolescentes do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Um exemplo dessa articula\u00e7\u00e3o ocorreu em 2012, quando o escrit\u00f3rio de arquitetura \u201cDBB (Davis Brody Bond) \u2013 Arquitetura da Conviv\u00eancia\u201d apresentou \u00e0 comunidade da Vila Madalena um estudo sobre o territ\u00f3rio. O trabalho destacou as fragilidades e potencialidades da Vila \u2013 tais como a diversidade de atores e a voca\u00e7\u00e3o para a conviv\u00eancia \u2013 e tamb\u00e9m as poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es para as condi\u00e7\u00f5es de tr\u00e2nsito,\u00a0 circula\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a. Esse estudo nasceu a partir de um debate iniciado anos antes, ainda em 2009, ano em que o Aprendiz procurou o escrit\u00f3rio para a elabora\u00e7\u00e3o de um novo desenho para o Beco da Rua Belmiro\u00a0Braga\u00a0<a title=\"Neste ano de 2009, as pesquisas e an\u00e1lises do territ\u00f3rio levaram os arquitetos do escrit\u00f3rio DBB \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de que havia um rio \u201cinvis\u00edvel\u201d no beco, o Rio Verde. A descoberta inspirou o projeto \u201cParque Linear C\u00f3rrego Verde Vila Madalena\u201d, que propunha a transforma\u00e7\u00e3o dos becos da Vila Madalena em espa\u00e7os de manifesta\u00e7\u00e3o cultural e lazer, usando o tema das \u00e1guas e dos rios urbanos. O projeto j\u00e1 foi assumido pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente, mas at\u00e9 o momento n\u00e3o foi implementado. Para saber mais: &lt;br \/&gt;   &lt;a href=&quot;http:\/\/arquiteturadaconvivencia.com.br\/portifolio-2\/parque-linear\/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;http:\/\/arquiteturadaconvivencia.com.br\/portifolio-2\/parque-linear\/&lt;\/a&gt;,  &lt;a href=&quot;http:\/\/www.movimentoconviva.com.br\/site\/papo-conviva-com-anna-dietzsch-2\/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;http:\/\/www.movimentoconviva.com.br\/site\/papo-conviva-com-anna-dietzsch-2\/&lt;\/a&gt;e &lt;a href='http:\/\/www.ecoeficientes.com.br\/novo-parque-vila-madalena\/' target='_blank'&gt;http:\/\/www.ecoeficientes.com.br\/novo-parque-vila-madalena\/&lt;\/a&gt;\" href=\"#nota\">[37]<\/a>.<\/p>\n<p>Em seguida, a inciativa se desdobrou em uma s\u00e9rie de debates com diversos atores locais (moradores, representantes dos setores p\u00fablicos, privados e organiza\u00e7\u00f5es do terceiro setor) que culminou em um Plano de Bairro para a Vila Madalena, chamado \u201cA Vila que queremos\u201d. O Aprendiz participou dos encontros e o acompanhamento do Plano foi amplamente divulgado pelo site da organiza\u00e7\u00e3o voltado integralmente \u00e0s quest\u00f5es da Vila, o\u00a0Vilamundo\u00a0<a title=\"Consultar: &lt;a href='http:\/\/vilamundo.org.br\/2012\/08\/grupo-se-reune-para-debater-a-construcao-de-um-plano-de-bairro-para-a-vila-madalena\/' target='_blank'&gt;http:\/\/vilamundo.org.br\/2012\/08\/grupo-se-reune-para-debater-a-construcao-de-um-plano-de-bairro-para-a-vila-madalena\/&lt;\/a&gt;\" href=\"#nota\">[38]<\/a>.<\/p>\n<p>A articula\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e a forma\u00e7\u00e3o de uma rede integrada com prop\u00f3sitos comuns t\u00eam sido, estrat\u00e9gias-chave para a consolida\u00e7\u00e3o do Bairro-escola Vila Madalena. Comit\u00eas e f\u00f3runs locais em a\u00e7\u00e3o, setores da sa\u00fade conversando com agentes de educa\u00e7\u00e3o, trabalho e juventude, oportunidades educativas no territ\u00f3rio abrindo portas para crian\u00e7as, adolescentes, adultos e idosos \u2013 certamente a Vila Madalena, se ainda n\u00e3o \u00e9 em sua totalidade um Bairro-escola, j\u00e1 tem os alicerces necess\u00e1rios para a efetiva\u00e7\u00e3o de um Plano Educativo Local.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/bairro-escola-vila-madalena\/\">A partir dos crit\u00e9rios para defini\u00e7\u00e3o territorial do Bairro-escola, o per\u00edmetro territorial aqui considerado como Bairro-escola Vila Madalena compreende um micro territ\u00f3rio baseado na delimita\u00e7\u00e3o raio 2 km a partir da EMEF Olavo Pezzotti, escolhida por ter uma participa\u00e7\u00e3o ativa &hellip;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":3,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-27","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/27","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/27\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":655,"href":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/27\/revisions\/655"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}