{"id":25,"date":"2014-02-20T15:14:37","date_gmt":"2014-02-20T15:14:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/diagnosticos\/?page_id=25"},"modified":"2014-05-26T22:23:34","modified_gmt":"2014-05-26T22:23:34","slug":"bairro-escola-fundao-do-jd-angela","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/bairro-escola-fundao-do-jd-angela\/","title":{"rendered":"Bairro-escola Fund\u00e3o do Jd. \u00c2ngela"},"content":{"rendered":"<p>No extremo sul do Jardim \u00c2ngela, um dos distritos mais populosos de S\u00e3o Paulo, localiza-se uma das \u00e1reas de maior vulnerabilidade socioecon\u00f4mica da cidade, no que diz respeito \u00e0 infraestrutura urbana e ao acesso \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade, assist\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o. O \u201cFund\u00e3o do \u00c2ngela\u201d \u2013 regi\u00e3o denominada dessa forma por seus moradores, corresponde \u00e0 \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o do Bairro-escola desde o ano de 2007, e compreende os bairros Ch\u00e1cara Sonho Azul, Ch\u00e1cara Bananal, Bombeiro, Jardim Capela, Vila Guiomar, Jardim Arizona, Jardim Vera Cruz, Jardim Aracati, Jardim Horizonte Azul e Vila do Sol.<\/p>\n<p>Com base nos dados encontrados nesta pesquisa, que refor\u00e7am a constata\u00e7\u00e3o dos moradores acerca da insufici\u00eancia e precariedade dos equipamentos p\u00fablicos, a regi\u00e3o v\u00ea somada \u00e0s suas necessidades mais prementes a complexa equa\u00e7\u00e3o de lidar com importantes quest\u00f5es ambientais, haja vista estar inserida em uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o a mananciais. A hist\u00f3ria do \u201cFund\u00e3o\u201d, de acordo com Carmo (apud Marques: 2010), remete \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de uma ch\u00e1cara de 27 mil metros quadrados, dividida em 240 lotes, no in\u00edcio dos anos 1990. \u00c0 \u00e9poca, n\u00e3o havia no territ\u00f3rio infraestrutura b\u00e1sica alguma, como rede de esgoto ou energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Passados mais de dez anos de sua primeira ocupa\u00e7\u00e3o, em 2003, pesquisa do Laborat\u00f3rio de Habita\u00e7\u00e3o da USP<sup>1<\/sup>, feita em colabora\u00e7\u00e3o com moradores da regi\u00e3o, apontava que indicadores de vulnerabilidade permaneciam altos, em compara\u00e7\u00e3o com regi\u00f5es menos perif\u00e9ricas da cidade. Como exemplo disso, enquanto alguns locais da regi\u00e3o sul do distrito do Jardim \u00c2ngela apresentavam de 15 a 30% dos chefes de fam\u00edlia sem rendimento, na maior parte do territ\u00f3rio considerado como \u201cFund\u00e3o\u201d, este n\u00famero chegava a at\u00e9 50% dos chefes de fam\u00edlia na mesma situa\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 uma diferen\u00e7a alarmante quando em compara\u00e7\u00e3o ao distrito de Pinheiros, por exemplo \u2013 neste distrito, no mesmo ano, 45,96% dos chefes de fam\u00edlia ganhavam mais de 20 sal\u00e1rios m\u00ednimos (SM) e apenas 7,09% recebiam menos do que tr\u00eas SM.<\/p>\n<p>Em 2010, dados da Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade da Vila Calu, localizada na regi\u00e3o, demostravam que 67,65% das fam\u00edlias ainda n\u00e3o possu\u00edam rede de esgoto, 41,34% faziam uso de fossas, e 25,71% ainda viviam com o esgoto a c\u00e9u aberto (Carmo: 2011).<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de exclus\u00e3o social a que foi relegada essa regi\u00e3o, em uma \u00e1rea ambientalmente sens\u00edvel, \u00e9 bem retratada no texto a seguir:<\/p>\n<p>\u201cEm 1975, a Lei de Prote\u00e7\u00e3o aos Mananciais estabelece crit\u00e9rios r\u00edgidos para a ocupa\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de contribui\u00e7\u00e3o do reservat\u00f3rio por loteamentos. A cria\u00e7\u00e3o da lei n\u00e3o foi acompanhada de fiscaliza\u00e7\u00e3o e o resultado \u00e9 o aparecimento de grande n\u00famero de loteamentos clandestinos. A ilegalidade a que s\u00e3o submetidos os moradores dessas \u00e1reas desde ent\u00e3o se soma \u00e0 precariedade da infraestrutura urbana na consolida\u00e7\u00e3o de uma periferia extremamente exclu\u00edda, em que a aus\u00eancia do poder p\u00fablico se faz notar, desde a configura\u00e7\u00e3o vi\u00e1ria \u00e0 falta de equipamentos p\u00fablicos, passando pela aceita\u00e7\u00e3o do descumprimento da legisla\u00e7\u00e3o vigente\u201d (Programa Bairro Legal: 2003).<\/p>\n<p>Como estrat\u00e9gia de enfrentamento \u00e0 car\u00eancia de infraestrutura b\u00e1sica, a regi\u00e3o do Jardim \u00c2ngela e, sobretudo do Fund\u00e3o do \u00c2ngela, passou a se caracterizar pela forte atua\u00e7\u00e3o de movimentos sociais que reivindicavam melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e influenciavam as pr\u00e1ticas cotidianas de sua popula\u00e7\u00e3o na periferia (Idem). Associa\u00e7\u00f5es de moradores, grupo culturais, saraus de poesia, coletivos jovens, entre outros, passaram a fazer parte da cultura de reivindica\u00e7\u00f5es e transforma\u00e7\u00f5es do territ\u00f3rio, sugerindo\u00a0 estrat\u00e9gias de enfrentamento das situa\u00e7\u00f5es de vida e conquista dos direitos sociais b\u00e1sicos.<i><\/i><\/p>\n<p><strong>\u00c1rea do diagn\u00f3stico<\/strong><\/p>\n<p>A despeito de ter atuado na regi\u00e3o do \u201cFund\u00e3o\u201d do \u00c2ngela, o Aprendiz, na tentativa de apreender de forma mais apurada as condi\u00e7\u00f5es que impactam o desenvolvimento integral de crian\u00e7as e adolescentes nesse territ\u00f3rio, tomou apenas parte desse territ\u00f3rio como \u00e1rea de abrang\u00eancia para fins deste diagn\u00f3stico. Um recorte geogr\u00e1fico circunscrito em 2 km a partir do endere\u00e7o de uma das escolas p\u00fablicas da regi\u00e3o, Escola Estadual Hon\u00f3rio Monteiro, foi escolhido para fins de an\u00e1lise. Seguindo esse crit\u00e9rio de delimita\u00e7\u00e3o, este territ\u00f3rio pertence tanto ao munic\u00edpio de Itapecerica da Serra, como ao distrito do Jardim \u00c2ngela (em S\u00e3o Paulo).<\/p>\n<p>Como explicado no Cap\u00edtulo 2 deste relat\u00f3rio, a escolha de uma escola como epicentro da regi\u00e3o a ser diagnosticada, relaciona-se ao fato de que constitui elemento fulcral das a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o integral de um territ\u00f3rio. \u00c9 ela quem recebe as crian\u00e7as e jovens que ali estudam, articula e catalisa oportunidades educativas, e relaciona-se com a comunidade, buscando promover o desenvolvimento pleno de seus estudantes. Neste caso espec\u00edfico, a escola Hon\u00f3rio Monteiro foi escolhida por j\u00e1 ser participante do Bairro-escola Fund\u00e3o do \u00c2ngela e por receber grande parte das crian\u00e7as que estudam na regi\u00e3o, e abranger v\u00e1rios n\u00edveis de ensino, a saber, Ensino Fundamental I e II, Ensino M\u00e9dio e EJA (total de 2400 alunos).<\/p>\n<p><strong>A hist\u00f3ria de articula\u00e7\u00f5es do Bairro-Escola Fund\u00e3o do Jd. \u00c2ngela.<\/strong><\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Cidade Escola Aprendiz na regi\u00e3o do Fund\u00e3o do Jardim \u00c2ngela teve in\u00edcio no ano de 2007. Na \u00e9poca, o diretor da escola de Ensino Infantil, EMEI Ch\u00e1cara Sonho Azul, solicitou \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o o estabelecimento de uma parceria para o desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria na regi\u00e3o. O intuito era transformar a rela\u00e7\u00e3o da comunidade com a escola e com os espa\u00e7os p\u00fablicos, resgatando a identidade local, a partir de interven\u00e7\u00f5es art\u00edstico-culturais. A expectativa era de que essa atua\u00e7\u00e3o fortaleceria o v\u00ednculo dos alunos com a escola, tornaria o espa\u00e7o escolar mais convidativo aos pais e \u00e0 comunidade, e as pessoas passariam a se relacionar com os espa\u00e7os p\u00fablicos do entorno de outra maneira, a partir de processos coletivos de revitaliza\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas. Dessa forma, foram realizadas com a comunidade, oficinas de arte urbana, viabilizadas a partir do projeto \u201cEscolas Irm\u00e3s\u201d (financiado por recursos de empresas incentivados via Lei Roaunet).<\/p>\n<p>Em 2009, com o apoio da empresa Prosegur, e por meio do Fundo Municipal da Crian\u00e7a e do Adolescente, tais iniciativas passaram a compor um rol de estrat\u00e9gias mais cont\u00ednuas e abrangentes, na perspectiva do fomento \u00e0s condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento integral das crian\u00e7as e jovens do territ\u00f3rio. Tratava-se do projeto Pr\u00f3 Bairro Escola Sonho Azul.<\/p>\n<p>O objetivo desse projeto era o de realizar a\u00e7\u00f5es em rede e com as escolas, na perspectiva do Bairro-escola. Nesse contexto, o Aprendiz passou a participar e fortalecer um grupo que acabava de se formar com o apoio da Plataforma dos Centros Urbanos (PCU), lan\u00e7ada pela UNICEF. O programa alinhava-se ao Bairro-escola na medida em que buscava um processo de articula\u00e7\u00e3o local em torno da defesa dos direitos das crian\u00e7as, adolescentes e jovens da regi\u00e3o, e revelava-se como estrat\u00e9gia consistente de articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Chamado de Grupo Articulador Local, esse coletivo era composto por lideran\u00e7as locais, gestores de equipamentos p\u00fablicos da regi\u00e3o e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, e atuava no Fund\u00e3o do \u00c2ngela como descrito anteriormente. Ao longo do processo da PCU, dois grupos articuladores da regi\u00e3o fundiram-se, ampliando-se o raio do Bairro-escola do Fund\u00e3o do \u00c2ngela.<\/p>\n<p>O grupo obteve o apoio do Aprendiz no que tange ao desenvolvimento de algumas das tecnologias que comp\u00f5em o Bairro-escola. Ao buscar a potencializa\u00e7\u00e3o da cultura local e a apropria\u00e7\u00e3o coletiva dos espa\u00e7os p\u00fablicos por meio da cultura, a tecnologia dos arranjos culturais gerou impactos imediatos na comunidade. Espa\u00e7os antes degradados \u2013 tais como a escadaria que liga a Ch\u00e1cara Sonho Azul \u00e0 Vila Calu \u2013 ao continuarem a ser revitalizados pelas interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas coletivas e mobilizar coletivos locais de cultura, chamaram a aten\u00e7\u00e3o do entorno. A comunica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria tamb\u00e9m p\u00f4de contribuir para que essas mesmas a\u00e7\u00f5es ganhassem visibilidade na comunidade. Um site comunit\u00e1rio de not\u00edcias foi desenvolvido, e moradores puderam produzir suas pr\u00f3prias noticias, fortalecendo a comunica\u00e7\u00e3o, em uma perspectiva local de desenvolvimento. Semin\u00e1rios, oficinas comunit\u00e1rias e encontros com a comunidade, trataram de temas como os desafios da quest\u00e3o ambiental no territ\u00f3rio, a quest\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia, o fomento \u00e0 cultura local, entre outros.<\/p>\n<p>Alguns desafios apresentaram-se. No que tange \u00e0 articula\u00e7\u00e3o local, foi dif\u00edcil envolver os equipamentos p\u00fablicos nas discuss\u00f5es sobre o territ\u00f3rio. O discurso dos representantes destas institui\u00e7\u00f5es era o \u00a0da falta de equipamentos na regi\u00e3o, uma sobrecarga de trabalho era imposta aos seus gestores e representantes, o que dificultava a participa\u00e7\u00e3o dessas institui\u00e7\u00f5es em f\u00f3runs locais, tais como o Grupo Articulador Local. A despeito disso, mostraram-se dispon\u00edveis para apoiar as a\u00e7\u00f5es. J\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as locais, pelo contr\u00e1rio, foi intensa: pessoas que atuavam h\u00e1 muito tempo nos movimentos sociais de reivindica\u00e7\u00e3o de moradia e transporte, por exemplo, frequentavam assiduamente as reuni\u00f5es. Exemplo disso foram as lideran\u00e7as do bairro Jardim Vera Cruz, membros do Grupo de Amigos F\u00e9 Luz, da Associa\u00e7\u00e3o do Jardim Arizona e artistas locais que desenvolviam a\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias voltadas para o fortalecimento da cultura.<\/p>\n<p>Com o tempo e a forte presen\u00e7a dessas lideran\u00e7as, a capacidade de a\u00e7\u00e3o local ampliou-se. Em 31 de maio de 2011, foi realizado um encontro \u2013 \u201cSemin\u00e1rio de Infraestrutura urbana: do outro lado da ponte\u201d \u2013 com o objetivo de reunir gestores p\u00fablicos, moradores e estudantes da regi\u00e3o e debater, de forma mais ampla, as principais quest\u00f5es do territ\u00f3rio quanto \u00e0 cultura, sa\u00fade, mobilidade e meio ambiente.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o de cerca de 50 estudantes do Ensino Fundamental II da escola Hon\u00f3rio Monteiro no semin\u00e1rio surpreendeu a equipe organizadora na \u00e9poca. Por iniciativa de um professor com longa trajet\u00f3ria de milit\u00e2ncia no Jardim \u00c2ngela, e da coordenadora pedag\u00f3gica, moradora e ex-aluna da escola, os estudantes da escola caminharam pelas ruas do bairro a fim de participar do semin\u00e1rio. Relatavam o desejo de que a institui\u00e7\u00e3o pudesse tornar-se um espa\u00e7o mais democr\u00e1tico e significativo para as crian\u00e7as e jovens, elemento essencial para a constru\u00e7\u00e3o de comunidades educativas por meio do Bairro-escola.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m era desejo da escola debater sobre outros problemas enfrentados cotidianamente pela institui\u00e7\u00e3o, e que afetavam diretamente os estudantes. Entre eles, salas superlotadas, falta frequente de professores e aus\u00eancia de equipamentos de sa\u00fade, cultura e lazer na regi\u00e3o. O Semin\u00e1rio gerou resultados importantes. Entre eles, figuram como principais, a maior visibilidade do Grupo Articulador Local na regi\u00e3o e a aproxima\u00e7\u00e3o entre este e \u00f3rg\u00e3os, equipamentos e programas do governo, assim como com a escola mencionada.<\/p>\n<p>De agosto de 2009 a dezembro de 2012, o Aprendiz foi ainda respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o dos Agentes Jovens da E.E. Samuel Morse, tamb\u00e9m localizada na regi\u00e3o. A escola fazia parte do Projeto Jovem de Futuro (PJF), do Instituto Unibanco, do qual o Aprendiz era parceiro. O PJF visava \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da evas\u00e3o escolar e \u00e0 melhoria do desempenho dos estudantes. O Aprendiz foi respons\u00e1vel por formar seis jovens de cada escola atendida pelo Projeto, entre elas, a Samuel Morse.<\/p>\n<p>Os estudantes, todos do Ensino M\u00e9dio, recebiam a forma\u00e7\u00e3o do Aprendiz sobre Cria\u00e7\u00e3o de Espa\u00e7os de Di\u00e1logo na Escola, a fim de permitir que eles expressassem seus interesses e desejos e que estes fossem realizados no dia a dia da escola. A constitui\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de di\u00e1logo promove um ambiente pedag\u00f3gico mais democr\u00e1tico, mais favor\u00e1vel ao aprendizado e fortalece os v\u00ednculos dos estudantes com a escola e com a comunidade a partir da produ\u00e7\u00e3o coletiva e colaborativa de ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A escola e a rede<\/strong><\/p>\n<p>A partir do momento em adquiriu mais clareza quanto ao seu objetivo \u2013 o de buscar condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento integral das crian\u00e7as, adolescentes e jovens da regi\u00e3o, na perspectiva de um trabalho em rede \u2013 o Grupo Articulador Local passou a se denominar Rede Juca (Rede da Juventude, Crian\u00e7a e adolescente) e a se articular com a escola Hon\u00f3rio Monteiro.<\/p>\n<p>Um exemplo dessa articula\u00e7\u00e3o foi a elabora\u00e7\u00e3o coletiva do Festival Bairro-escola M\u2019Boi Mirim, a pedido dos pr\u00f3prios alunos, que abordou o tema da educa\u00e7\u00e3o e cultura. A partir de encontros coletivos entre estudantes, professores e integrantes da rede, algumas oficinas foram definidas, assim como suas linguagens (teatro, grafite, m\u00fasica, percuss\u00e3o africana) e temas de debate. Um deles era a quest\u00e3o dos conflitos ou a viol\u00eancia na escola.<\/p>\n<p>Do processo, rico em termos de mobiliza\u00e7\u00e3o da juventude e da escola, um grupo de jovens passou a se reunir para discutir quest\u00f5es relacionadas \u00e0 juventude e sobre o que poderia ser feito para que a escola promovesse esse debate. Desta forma, durante o ano de 2012, teve in\u00edcio a mobiliza\u00e7\u00e3o dos estudantes para a cria\u00e7\u00e3o do gr\u00eamio estudantil na escola Hon\u00f3rio Monteiro. A proposta, realizada com o apoio do Aprendiz, contou com o incentivo da gest\u00e3o escolar e da Rede JUCA.<\/p>\n<p>Como uma das a\u00e7\u00f5es do gr\u00eamio, de outros estudantes envolvidos e do Aprendiz, um espa\u00e7o abandonado da escola foi revitalizado, tornando-se um centro cultural dos jovens, aberto tamb\u00e9m \u00e0 comunidade. Essa conquista empreendida pelos estudantes mostrou-se bastante significativa na medida em que n\u00e3o havia um espa\u00e7o na escola destinado especificamente \u00e0s suas atividades e apresenta\u00e7\u00f5es, e a abertura \u00e0 comunidade fez dele um espa\u00e7o de conquista do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m como consequ\u00eancia destas a\u00e7\u00f5es de articula\u00e7\u00e3o, e a pedido da escola, iniciou-se um processo de apoio \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de seu projeto pol\u00edtico pedag\u00f3gico, de forma democr\u00e1tica. A partir da discuss\u00e3o com professores, e na tentativa de consolidar um conselho escolar participativo, tal medida, apoiada pelo Aprendiz, p\u00f4de contar com a participa\u00e7\u00e3o do gr\u00eamio, eleito democraticamente no mesmo per\u00edodo, e de alguns coordenadores pedag\u00f3gicos da escola.<\/p>\n<p>Muitos foram os desafios enfrentados no trabalho de articula\u00e7\u00e3o com as escolas. Na medida em que o processo democr\u00e1tico ainda n\u00e3o se instaurava de fato, em alguns casos, a mobiliza\u00e7\u00e3o interna dependeu de figuras-chave, como o professor que havia mobilizado os alunos em 2011 para a participa\u00e7\u00e3o no Semin\u00e1rio, ou a antiga coordenadora pedag\u00f3gica, que neste momento atuava novamente como professora.<\/p>\n<p>As contradi\u00e7\u00f5es passaram pelas vicissitudes do processo democr\u00e1tico. Eventualmente, pelo fato de a comunidade ter se fortalecido e passado a questionar mais fortemente medidas ao poder p\u00fablico, houve maior resist\u00eancia de alguns desses equipamentos quanto ao avan\u00e7o de uma gest\u00e3o participativa de fato.<\/p>\n<p>De qualquer maneira, no ano de 2013, mesmo sem uma atua\u00e7\u00e3o semelhante a dos anos anteriores, o Aprendiz p\u00f4de observar a pot\u00eancia do Bairro-escola Fund\u00e3o do \u00c2ngela. Por meio do Programa Aprendiz Comg\u00e1s \u2013 que passou a oferecer aos jovens estudantes da regi\u00e3o oportunidades de elaborarem a\u00e7\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria de sua autoria no territ\u00f3rio \u2013 o Aprendiz viu surgirem propostas coerentes com esse objetivo. A partir de parcerias com o territ\u00f3rio, os jovens estudantes da escola Hon\u00f3rio Monteiro propuseram mostras de cinema em espa\u00e7os p\u00fablicos, seguidas de debate em torno de temas de interesse para a comunidade; criaram r\u00e1dio comunit\u00e1ria, promoveram a reforma de uma biblioteca do bairro e propuseram interven\u00e7\u00f5es criativas nos espa\u00e7os ociosos da escola. Tais propostas confirmaram a pot\u00eancia das a\u00e7\u00f5es da juventude, para a continuidade das a\u00e7\u00f5es do Bairro-escola.<\/p>\n<p>Da mesma forma, a Rede Juca, mesmo sem o apoio direto do Aprendiz no segundo semestre de 2013, manteve uma composi\u00e7\u00e3o diversa, sustentou seu di\u00e1logo frente \u00e0s escolas, subprefeitura e a outros equipamentos do territ\u00f3rio, com o objetivo de manter a articula\u00e7\u00e3o da rede de desenvolvimento integral do territ\u00f3rio. Atualmente, esta articula\u00e7\u00e3o conta com o apoio, em especial, da escola municipal de Educa\u00e7\u00e3o Infantil Ch\u00e1cara Sonho Azul \u2013 respons\u00e1vel por acionar o Aprendiz, em 2007, para dar in\u00edcio \u00e0s a\u00e7\u00f5es no territ\u00f3rio. A escola mant\u00e9m-se como equipamento articulador de oportunidades educativas na regi\u00e3o, liderando processos de mobiliza\u00e7\u00e3o em torno da garantia do desenvolvimento integral de crian\u00e7as, adolescentes e jovens do Fund\u00e3o do \u00c2ngela. A parceria entre o Aprendiz, a escola e a rede, permanece, e o territ\u00f3rio demonstra grande potencial para o desenvolvimento estruturado de um Plano Educativo Local.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/bairro-escola-fundao-do-jd-angela\/\">No extremo sul do Jardim \u00c2ngela, um dos distritos mais populosos de S\u00e3o Paulo, localiza-se uma das \u00e1reas de maior vulnerabilidade socioecon\u00f4mica da cidade, no que diz respeito \u00e0 infraestrutura urbana e ao acesso \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade, assist\u00eancia &hellip;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":2,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-25","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/25","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/25\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":546,"href":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/25\/revisions\/546"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}