{"id":151,"date":"2014-02-20T21:12:45","date_gmt":"2014-02-20T21:12:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/diagnosticos\/?page_id=151"},"modified":"2014-05-30T14:53:55","modified_gmt":"2014-05-30T14:53:55","slug":"conhecer-as-condicoes-da-rede-intersetorial-de-educacao-integral","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/os-eixos-de-analise-do-diagnostico-socioterritorial-do-bairro-escola\/conhecer-as-condicoes-da-rede-intersetorial-de-educacao-integral\/","title":{"rendered":"Conhecer as condi\u00e7\u00f5es da rede intersetorial de Educa\u00e7\u00e3o Integral"},"content":{"rendered":"<p>O desenvolvimento integral das crian\u00e7as, adolescentes e jovens n\u00e3o pode ser enfrentado sem um trabalho articulado de atores sociais e institucionais, ou seja, entre as pessoas, institui\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas que constituem a vida da comunidade. O di\u00e1logo entre os diversos setores permite construir um conjunto de a\u00e7\u00f5es integradas que se mostram mais eficientes (Cidade Escola Aprendiz: 2008).<\/p>\n<p>Conforme detalhado no cap\u00edtulo 1, para que o territ\u00f3rio se torne educativo \u00e9 necess\u00e1rio que se forme uma rede intersetorial de educa\u00e7\u00e3o integral. A constitui\u00e7\u00e3o da rede viabiliza e dinamiza o trabalho conjunto expresso acima. O car\u00e1ter recente e a complexidade do tema nos leva a aprofundar um pouco mais \u00a0o conceito de \u201cintersetorialidade\u201d e o nosso entendimento da import\u00e2ncia do trabalho em \u201crede no Bairro-escola.\u201d.<\/p>\n<p>Um dos princ\u00edpios fundamentais da intersetorialidade \u00e9 o da converg\u00eancia, assim chamado por Sposati (2006): \u201cConjunto de impulsos para a a\u00e7\u00e3o em determinada situa\u00e7\u00e3o, seja ela um objeto, um tema, uma necessidade, um territ\u00f3rio, um grupo, um objetivo, uma perspectiva (&#8230;) a intersetorialidade pode trazer mais qualidade por permitir ultrapassar os limites que, a princ\u00edpio, ocorreriam numa abordagem somente setorial (Sposati, 2006:37)\u201d.<\/p>\n<p>Outro princ\u00edpio importante \u00e9 o da gradualidade. Na intersetorialidade, os objetivos n\u00e3o s\u00e3o alcan\u00e7ados de uma vez s\u00f3, as conquistas se d\u00e3o gradualmente e as mudan\u00e7as devem ser vistas sempre em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o anterior, tornando-as vis\u00edveis para a valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho coletivo (Ferreira, 2009). A men\u00e7\u00e3o de Bronzo e Veiga (2007) sobre a gradualidade na intersetorialidade \u00e9 elucidativa: \u201c\u00c9 preciso ter grande perspectiva, mas atuar de forma gradual por etapas ou metas cujos resultados alcan\u00e7ados sempre produzem uma mudan\u00e7a na configura\u00e7\u00e3o anterior de dada situa\u00e7\u00e3o. Poder-se-ia dizer que os resultados colocam a realidade em um novo patamar, mesmo que n\u00e3o seja ainda a perspectiva \u00faltima desejada. (&#8230;) \u00c9 preciso reconhecer publi\u00adcamente a altera\u00e7\u00e3o de patamar de uma situa\u00e7\u00e3o, mesmo que ainda n\u00e3o seja ple\u00adno, para que o resultado da a\u00e7\u00e3o se tor\u00adne vis\u00edvel para a sociedade, para a\u00e7\u00e3o do governo, para os agentes institucionais e com isto seja assimilado, n\u00e3o se voltando \u00e0 estaca zero\u201d (Bronzo e Veiga, 2007: 139).<\/p>\n<p>No que tange a formula\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, a a\u00e7\u00e3o intersetorial \u00e9 um enfoque recente e desafiador. A trajet\u00f3ria setorial das pol\u00edticas brasileiras s\u00e3o diferentes entre si, em fun\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria, movimentos sociais que as constru\u00edram, o seu marco regulat\u00f3rio, as responsabilidades na esfera governamental e a variedade de interesses que comp\u00f5e a sua agenda. Como aponta Ferreira: \u201cEssas diferen\u00e7as configuram o primeiro de\u00adsafio quando o tema \u00e9 intersetorialidade: as pol\u00edticas p\u00fablicas setoriais est\u00e3o estru\u00adturadas para funcionarem isoladamente. Planejamentos, or\u00e7amentos, normatiza\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, recursos humanos, enfim, todo o modelo de gest\u00e3o \u00e9 pensado, via de regra, em fun\u00e7\u00e3o do grau de especializa\u00e7\u00e3o e pro\u00adfissionaliza\u00e7\u00e3o de cada \u00e1rea\u201d (Ferreira, 2009: 19).<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o integral, por exemplo, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s era vista apenas como uma pol\u00edtica setorial sob a responsabilidade dos equipamentos de ensino (experi\u00eancias das escolas-parque, CIEPS e CAICS).\u00a0 Nesse sentido, a educa\u00e7\u00e3o integral \u00e9 extremamente desafiadora, j\u00e1 que para a sua realiza\u00e7\u00e3o convoca as diversas pol\u00edticas setoriais a atuarem em conjunto e a promover o desenvolvimento integral das crian\u00e7as e dos adolescentes. As pol\u00edticas intersetoriais de educa\u00e7\u00e3o integral exigem articula\u00e7\u00e3o de saberes, tempos e espa\u00e7os, planejamento, avalia\u00e7\u00e3o e o alcance de resultados por meio do enfrentamento de uma realidade extremamente complexa: \u201cDito de outro modo, ela [educa\u00e7\u00e3o integral] atualmente nos convida a mirar todas as pol\u00edticas p\u00fablicas e, especial\u00admente as pol\u00edticas sociais, com um potencial educativo: cultura, esporte, meio ambien\u00adte, assist\u00eancia social, tecnolo\u00adgia, habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, enfim. Apenas como exerc\u00edcio, pode\u00adr\u00edamos pensar que, na perspec\u00adtiva interseto\u00adrial, os cuidados de sa\u00fade oferta\u00addos por progra\u00admas ou servi\u00e7os poderiam al\u00e7ar alcance mais amplo quando articulados \u00e0s pr\u00e1ticas esportivas e estas, por sua vez, poderiam ser intensificadas por estrat\u00e9gias de conviv\u00eancia com as diferen\u00e7as t\u00e3o valorizadas no campo da cultura que, ga\u00adnham intensidade pelos conhecimentos vin\u00addos da leitura praticada nas escolas\u201d (Ferreira, 2009:18).<\/p>\n<p>Do ponto de vista dos direitos das crian\u00e7as e dos adolescentes as pol\u00edticas intersetoriais se alinham pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal e pelo Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA) que tem como compromisso a garantida da Prote\u00e7\u00e3o Integral destes cidad\u00e3os. Conhecidos como os \u201cnovos direitos sociais\u201d trazem para a agenda p\u00fablica uma complexidade desconhecida pelos gestores p\u00fablicos at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s. Constitui-se ent\u00e3o, a rede integral de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 crian\u00e7a e ao adolescente formada por \u00f3rg\u00e3os n\u00e3o governamentais e, por todos os \u00f3rg\u00e3os e servi\u00e7os governamentais tais como os \u00f3rg\u00e3os executores das pol\u00edticas p\u00fablicas (educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, assist\u00eancia social, cultura, esporte, etc). os Conselhos de Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente e as entidades p\u00fablicas e privadas de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, as inst\u00e2ncias do poder judici\u00e1rio, como Minist\u00e9rio P\u00fablico, as Secretarias de Justi\u00e7a, os Conselhos Tutelares e os \u00f3rg\u00e3os de defesa da cidadania.<\/p>\n<p>A rede de prote\u00e7\u00e3o tem como objetivo atuar:\u00a0 \u201c(&#8230;) na amplia\u00e7\u00e3o e no aperfei\u00e7oamento das pol\u00edticas p\u00fablicas, quer se trate de pol\u00edticas universais de atendimento \u00e0s\u00a0 necessidades b\u00e1sicas da crian\u00e7a e do adolescente, quer se trate de medidas de prote\u00e7\u00e3o especial para aqueles que se encontram em situa\u00e7\u00e3o de risco pessoal e social (Leite <i>et all<\/i>, 2010: 25).<\/p>\n<p>A necessidade do trabalho em rede surgiu da ampla mobiliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais no per\u00edodo de p\u00f3s-Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, \u00e9poca em que a assist\u00eancia social foi elevada \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica p\u00fablica e regulamentada pela Lei Org\u00e2nica da Assist\u00eancia Social (LOAS, 1993) e que os munic\u00edpios tiveram o desafio de realizar as pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o social para \u00e0 inf\u00e2ncia e \u00e0 adolesc\u00eancia conforme prev\u00ea o ECA (1990).<\/p>\n<p>Para que isso aconte\u00e7a de forma eficaz e compartilhada, \u00e9 fundamental integrar todas as inst\u00e2ncias de articula\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico e a sociedade civil: os Conselhos dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente, os Conselhos Tutelares e os F\u00f3runs.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio garantir algumas condi\u00e7\u00f5es para que o trabalho da rede integral de prote\u00e7\u00e3o se efetive nos territ\u00f3rios, a saber: a integra\u00e7\u00e3o das diversas pol\u00edticas p\u00fablicas para a promo\u00e7\u00e3o dos direitos das crian\u00e7as e adolescentes; articula\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es governamentais e n\u00e3o governamentais; introduzir mecanismos de acompanhamento e avalia\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas implantadas e a qualidade dos servi\u00e7os e seus impactos nas fam\u00edlias; mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade para a participa\u00e7\u00e3o, interc\u00e2mbio e coordena\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es a serem desenvolvidas; o estabelecimento de a\u00e7\u00f5es interdisciplinares, melhorando os fluxos e potencializando o intercambio de experi\u00eancias e oportunidades (MEC\/SECADI; UFRRJ, 2001).<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia da integra\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es, por meio da rede integral de prote\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a e adolescente \u00e9 aqui reiterada: \u201cA integralidade da prote\u00e7\u00e3o prevista no ECA sup\u00f5e que seja assegurado um conjunto de direitos: o direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao lazer, \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura, \u00e0 dignidade, ao respeito, \u00e0 liberdade e \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria. \u00c9 neces\u00ads\u00e1rio, pois, que as diferentes pol\u00edticas sociais estejam conectadas em torno de prop\u00f3sitos comuns, uma vez que, na \u00f3tica da garantia de direitos, n\u00e3o h\u00e1 hierarquia entre elas. Assim, do ponto de vista jur\u00eddico, a prote\u00e7\u00e3o integral \u00e9 o solo que reveste de pertin\u00eancia a gest\u00e3o in\u00adtersetorial nos tempos atuais\u201d(Gouveia, 2009: 12).<\/p>\n<p>Em suma, a intersetorialidade \u00e9 chave para a cria\u00e7\u00e3o e\/ou fortalecimento da rede integral de prote\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios<b>: <\/b>\u201c(&#8230;) a intersetorialidade como estrat\u00e9gia de gest\u00e3o educativa mais afinada ao desafio de implementar educa\u00e7\u00e3o integral nos dias de hoje, sobretudo em face do conjunto de leis e iniciativas que pretendem dar conta da prote\u00e7\u00e3o integral de crian\u00e7as e adolescentes\u201d (Idem:1).<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o integral contribui para ampliar ainda mais a atua\u00e7\u00e3o da rede integral de prote\u00e7\u00e3o, promovendo a articula\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os, tempos, saberes e convocando a participa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e jovens: \u201cA educa\u00e7\u00e3o integral, no conjunto da prote\u00ad\u00e7\u00e3o integral de crian\u00e7as e adolescentes, exi\u00adge dimensionar e garantir seus direitos civis, sociais e pol\u00edticos de acordo com o seu grau de desenvolvimento: ter acesso \u00e0 informa\u00ad\u00e7\u00e3o sobre os servi\u00e7os p\u00fablicos dispon\u00edveis no seu bairro e na cidade; usufruir a conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria; serem ouvidos em espa\u00e7os formais e informais de participa\u00e7\u00e3o, como gr\u00eamios, confer\u00eancias l\u00fadicas\u201d (Ferreira, 2009:18).<\/p>\n<p>Entendemos que o conceito de educa\u00e7\u00e3o integral: \u201cinclui a cidade, seus espa\u00e7os, recursos e acontecimentos como campo estrat\u00e9gico de aprendizagens e desenvolvimento de crian\u00ad\u00e7as, adolescentes e de todos os seus habi\u00adtantes. Assim, a centralidade passa a ser o territ\u00f3rio e as experi\u00eancias nele vividas. Por isso, os processos educativos precisam re\u00adconhecer as for\u00e7as presentes nos territ\u00f3rios \u2013 servi\u00e7os p\u00fablicos, agentes educativos, tro\u00adcas culturais \u2013 e o modo como as crian\u00e7as e os adolescentes se relacionam com elas. \u00c9 isso que d\u00e1 vida \u00e0s redes de aprendizagem\u201d (Nilson, 2009: 7).<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o integral reconhece a educa\u00e7\u00e3o como oportunidade para o aprendizado, da conviv\u00eancia democr\u00e1tica, do reconhecimento das diferen\u00e7as e do exerc\u00edcio da igualdade. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o de 1996) prev\u00ea a implementa\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o integral destacando o aspecto do \u201ctempo\u2019, por meio das \u201cescolas de tempo integral\u201d. Mais recentemente, com o crescimento da amplia\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias em todo o Brasil, h\u00e1 uma mudan\u00e7a no conceito, n\u00e3o restringindo mais a integralidade ao fator temporal, mas tamb\u00e9m \u00e0 expans\u00e3o de espa\u00e7os e a diversidade de agentes educativos nos processos: \u201cA educa\u00e7\u00e3o integral de crian\u00e7as e adolescen\u00adtes com essa perspectiva \u00e9 uma realidade ain\u00adda fr\u00e1gil, e que vem se fortalecendo por um conjunto de experi\u00eancias no pa\u00eds, al\u00e9m de um programa federal de fomento \u00e0 sua imple\u00admenta\u00e7\u00e3o e um dispositivo de financiamento previsto no FUNDEB. Este quadro configura a a\u00e7\u00e3o intersetorial como o desafio urgente a ser enfrentado em seus diversos \u00e2mbitos: na articula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas, na articula\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es dos equipamentos p\u00fablicos e na articula\u00e7\u00e3o dos diversos atores que podem implicar-se com a educa\u00e7\u00e3o integral (Nilson, 2009: 7).<\/p>\n<p>A complexidade e o desafio da Educa\u00e7\u00e3o Integral s\u00e3o imensos, j\u00e1 que a integra\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es por meio das redes intersetoriais n\u00e3o ocorre rapidamente e de forma espont\u00e2nea: \u201cAo mesmo tem\u00adpo, \u00e9 importante explicitar a heterogeneida\u00adde de agentes educativos que, atuando em diferentes espa\u00e7os e com estrat\u00e9gias pedag\u00f3\u00adgicas diversas, comp\u00f5em o conjunto de esfor\u00ad\u00e7os para o alcance do desenvolvimento inte\u00adgral. A mera presen\u00e7a dessas iniciativas n\u00e3o \u00e9 suficiente para abarcar todas as dimens\u00f5es da integralidade educativa (espa\u00e7os, tempos, sujeitos e conhecimentos). Sabe-se que essa articula\u00e7\u00e3o e essa composi\u00e7\u00e3o de saberes e pr\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o espont\u00e2neas e, portanto, demandam o reconhecimento do alcance e dos limites de cada institui\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, tais iniciativas convocam a atuar em rede, ou seja, em rela\u00e7\u00f5es mutuamente com\u00adplementares e interdependentes. \u00c9 preciso conect\u00e1-las, reconhecer a complementarida\u00adde e a interdepend\u00eancia (Nilson, 2009: 7).<\/p>\n<p>O trecho a seguir complementa a ideia expressa acima e reitera a import\u00e2ncia da constitui\u00e7\u00e3o de redes intersetoriais de educa\u00e7\u00e3o integral nos territ\u00f3rios: \u201c(&#8230;) a concep\u00e7\u00e3o de rede \u00e9 a que melhor expres\u00adsa os desafios contempor\u00e2neos da educa\u00e7\u00e3o integral, uma vez que a mera presen\u00e7a de iniciativas governamentais ou da sociedade civil n\u00e3o \u00e9 suficiente para que se alcance re\u00adsultados satisfat\u00f3rios. \u00c9 preciso conect\u00e1-las, reconhecer a complementaridade e a inter\u00addepend\u00eancia\u201d (Gouveia, 2009: 10).<\/p>\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que assistimos cada vez mais a integra\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es dos diversos grupos e setores sociais, com a unifica\u00e7\u00e3o de pautas e agendas, a amplia\u00e7\u00e3o da articula\u00e7\u00e3o dos ativos locais e da cidade e o surgimento de estrat\u00e9gias inovadoras de mobiliza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Se, por um lado, percebemos os avan\u00e7os, por outro, o desafio da intersetorialidade \u00e9 justamente o da heterogeneidade de atores, a converg\u00eancia de prop\u00f3sitos, a gradualidade dos resultados,\u00a0 e a horizontalidade das rela\u00e7\u00f5es e saberes (Idem:7).<\/p>\n<p>Nesse contexto, o desafio do trabalho em rede \u00e9 o de estimular a intersetorialidade com uma forma de organiza\u00e7\u00e3o horizontal e democr\u00e1tica: \u201cComo se v\u00ea, a intersetorialidade, tal qual o con\u00adceito de rede, sup\u00f5e trocas sustentadas na ho\u00adrizontalidade das rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, gerenciais e t\u00e9cnicas. N\u00e3o se trata de equival\u00eancias, mas, sobretudo, do reconhecimento da capacidade que cada pol\u00edtica setorial tem a aportar ao pro\u00adp\u00f3sito comum: garantir educa\u00e7\u00e3o integral para crian\u00e7as, adolescentes e jovens\u201d (Ferreira, 2009 19).<\/p>\n<p>Compreendemos as redes intersetoriais de educa\u00e7\u00e3o integral como inst\u00e2ncias potentes para a a\u00e7\u00e3o coletiva que permite ao conjunto de atores sociais de um determinado territ\u00f3rio compartilhar objetivos, obtendo as intera\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias com as outras inst\u00e2ncias institucionais e construir v\u00ednculos horizontais de interdepend\u00eancia e complementaridade. Como apontam Bronzo e Veiga (2007): [&#8230;] a ideia de rede tem se tornado uma referente central nas discuss\u00f5es em di\u00adversos campos, para sinalizar intercone\u00adx\u00e3o, interdepend\u00eancia, a conforma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para dar conta da comple\u00adxidade dos processos e da realidade so\u00adcial. Uma ideia inovadora na concep\u00e7\u00e3o de redes amplia a perspectiva de redes horizontais e incorpora a ideia de redes multin\u00edvel (ou de n\u00edveis m\u00faltiplos), o que remete \u00e0 interdepend\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 exis\u00adtente entre atores no n\u00edvel local, mas que envolve diversos n\u00edveis de governo (Idem).<\/p>\n<p>Portanto, o que d\u00e1 vida as redes s\u00e3o as din\u00e2micas que surgem das pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es institucionais e interpessoais, a qualidade dessas conex\u00f5es, a integra\u00e7\u00e3o de diversos grupos e setores sociais: \u201cPor isso, a educa\u00e7\u00e3o integral, na perspectiva da intersetorialidade, convoca os gestores e educadores a fazerem uma gest\u00e3o destas re\u00adla\u00e7\u00f5es nos territ\u00f3rios\u201d (Nilson, 2009:23).<\/p>\n<p>Em suma, conforme descrito na se\u00e7\u00e3o 1, a rede intersetorial de educa\u00e7\u00e3o integral articula pessoas, organiza\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es com o objetivo de compartilhar causas, projetos de modo igualit\u00e1rio, democr\u00e1tico e solid\u00e1rio. Ela instaura uma forma de organiza\u00e7\u00e3o baseada na coopera\u00e7\u00e3o e na divis\u00e3o de responsabilidade e compet\u00eancia e, articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, uma alian\u00e7a estrat\u00e9gica entre os atores sociais (pessoas) e for\u00e7as (institui\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>Para compreender o elemento-chave deste eixo, as condi\u00e7\u00f5es da rede intersetorial da educa\u00e7\u00e3o integral, a pesquisa se prop\u00f5e a:<\/p>\n<p><strong>I. Conhecer a cobertura da rede de educa\u00e7\u00e3o integral para crian\u00e7as e jovens:<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Rela\u00e7\u00e3o (lista) dos equipamentos que buscam contribuir para o desenvolvimento integral para crian\u00e7as e jovens presentes no territ\u00f3rio (ensino, sa\u00fade, assist\u00eancia social, seguran\u00e7a, cultura, esporte e comunica\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>O m\u00e9todo previsto \u00e9 a pesquisa documental na Internet, contato telef\u00f4nico para uma primeira identifica\u00e7\u00e3o e, em outro momento, levantamento em campo para completar e confirmar as informa\u00e7\u00f5es previamente coletadas<\/p>\n<p><strong>II. Conhecer as redes interdisciplinares atuantes no territ\u00f3rio (g\u00eanero, rela\u00e7\u00f5es etnico-racial, drogas, cultura, direitos humanos, meio-ambiente).<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Rela\u00e7\u00e3o (lista) de organiza\u00e7\u00f5es que tenham pautas relacionadas \u00e0s crian\u00e7as e jovens;<\/p>\n<p>O m\u00e9todo \u00e9 a pesquisa qualitativa por meio de entrevistas, observa\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de atas e tamb\u00e9m pesquisa documental para o levantamento da seguinte informa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>III. Conhecer as lideran\u00e7as comunit\u00e1rias que promovem a\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento integral de crian\u00e7as e jovens.<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Rela\u00e7\u00e3o (lista) de lideran\u00e7as comunit\u00e1rias que promovem a\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento integral de crian\u00e7as e jovens;<\/p>\n<p>O m\u00e9todo \u00e9 a pesquisa qualitativa por meio de entrevistas, observa\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de atas e tamb\u00e9m pesquisa documental:<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 metodologia prevista acima, da pesquisa qualitativa realizamos as entrevistas com uma (1) lideran\u00e7a comunit\u00e1ria de cada territ\u00f3rio e o levantamento documental (pela internet) e em alguns casos realizamos entrevistas com os representantes e\/ou respons\u00e1veis dos equipamentos da rede. Dessa forma, obtivemos os resultados do item I por meio da lista dos equipamentos voltados para o desenvolvimento integral para crian\u00e7as e jovens presentes no territ\u00f3rio (educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, assist\u00eancia social e cultura) e o seu georreferenciamento em mapas.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Para a realiza\u00e7\u00e3o dos demais itens (II e III) <\/span>\u00e9 necess\u00e1rio prever um tempo maior de pesquisa para o estabelecimento de um v\u00ednculo e contato mais pr\u00f3ximo com o representante\/respons\u00e1vel das redes e com a lideran\u00e7a comunit\u00e1ria para a realiza\u00e7\u00e3o das entrevistas e das observa\u00e7\u00f5es participantes nas reuni\u00f5es. Aqui tamb\u00e9m o per\u00edodo da realiza\u00e7\u00e3o do trabalho de campo impactou no levantamento dos dados previstos. A maioria das redes intersetoriais possuem reuni\u00f5es mensais ou espor\u00e1dicas no semestre o que reduz ainda mais o cronograma da pesquisa de campo. Evidentemente, como j\u00e1 foi dito anteriormente, o fator tempo para a implementa\u00e7\u00e3o do trabalho de campo e a \u00e9poca do ano deve ser ampliado.<\/p>\n<p>\u00c9 sabido que existem poucas redes interdisciplinares nos territ\u00f3rios e para identifica-las partimos de um levantamento documental pela internet e pelas entrevistas das lideran\u00e7as locais, no entanto, o que percebemos \u00e9 que estas fontes n\u00e3o s\u00e3o suficientes e \u00e9 necess\u00e1rio uma maior imers\u00e3o no territ\u00f3rio para conhecer o conjunto das redes existentes, principalmente, aquelas que n\u00e3o possuem visibilidade.\u00a0 Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m existem diferen\u00e7as essenciais entre os equipamentos p\u00fablicos existentes, como por exemplo, a desigualdade no atendimento, a qualidade e cobertura do atendimento que n\u00e3o foram analisados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/diagnosticobairroescola\/os-eixos-de-analise-do-diagnostico-socioterritorial-do-bairro-escola\/conhecer-as-condicoes-da-rede-intersetorial-de-educacao-integral\/\">O desenvolvimento integral das crian\u00e7as, adolescentes e jovens n\u00e3o pode ser enfrentado sem um trabalho articulado de atores sociais e institucionais, ou seja, entre as pessoas, institui\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas que constituem a vida da comunidade. 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